:: RADIOLOGIA E MEIOS DE CONTRASTES ::

Radiologia e meios de contraste

Introdução

Passar por qualquer tipo de tratamento diagnóstico pode ser uma experiência preocupante, principalmente se você ou alguém muito próximo vivenciou uma situação como essa antes. Muitos procedimentos são totalmente inócuos e indolores, mas é com eles que você tem mais informações para conseguir entender melhor o que está acontecendo.

A Schering é líder mundial neste tipo de tratamento - por meio do qual o diagnóstico "interno" do paciente utilizando uma ampla variedade de técnicas de imagem é melhorado consideravelmente pelo uso de modernos agentes de imagem. A Schering sempre esteve muito envolvida neste tipo de tratamento no último século e desenvolveu uma grande variedade de meios de contraste que auxiliam os médicos a produzir diagnósticos com mais precisão.

Embora o exame de raios-x seja a técnica de imagem mais conhecida e comum, não é o único procedimento para "avaliar dentro" do corpo humano. Há vários outros métodos não invasivos para examinar o interior dos pacientes, como ressonância magnética, ultra-sonografia ou métodos usados em medicina nuclear.

A idéia básica para o desenvolvimento de meios de contraste para os diferentes tipos de procedimentos de imagem é possibilitar o diagnóstico precoce de doenças. Fique à vontade para aprender mais sobre esses procedimentos inovadores nas próximas páginas.

  • Raios-X


Raios-X sem mistério

A técnica de raios-x é um processo de imagem freqüentemente utilizado na medicina ficando atrás somente da ultra-sonografia. Porém, enquanto ondas eletromagnéticas de alta energia com curtos comprimentos de onda são excelentes para a visualização de estruturas densas, como ossos, o reconhecimento dos órgãos de tecido mole é muito menos preciso. Sua imagem aos raios-X dificilmente difere daquela da área circundante. Foi este problema que estimulou pesquisas sobre o meio de contraste que poderia ajudar os médicos a distinguir detalhes dentro e entre órgãos de tecido mole.


Por que os meios de contraste são necessários?

Dois órgãos de densidade e número atômico médio semelhantes não são distinguíveis aos raios-X. Os meios de contraste são, portanto, necessários para criar um contraste artificial entre o órgão a ser diagnosticado e o tecido circundante. Todos os meios de contraste são baseados no princípio de suspensão ou solução atóxica que contém proporção significativa de elementos com alto número atômico - como o meio de contraste contendo iodo. Quando raios-X atingem iodo em um meio de contraste, a área aparece branca no filme de raios-x e então destaca o detalhe do órgão por onde se espalhou.


Como são utilizados os meios de contraste?

Há vários exames radiológicos em prática atualmente que envolvem o uso de meios de contraste. Alguns dos mais comuns são descritos seguir.


Angiografia

O procedimento radiológico que investiga a condição dos vasos sangüíneos é chamado angiografia. Uma distinção entre arteriografia e venografia é geralmente feita, dependendo se artérias ou veias estão sendo examinadas.


Arteriografia

Na arteriografia, o meio de contraste é administrado dentro da artéria, que a torna opaca aos raios-X. O fluxo natural do sangue transporta o meio de contraste e, tirando um número de radiografias, o radiologista pode obter uma série de imagens semelhantes a um mapa de estradas do suprimento sangüíneo de um órgão ou membro. Estreitamento ou obstrução localizada de uma artéria podem então ser identificados e o tratamento intervencionista ou cirúrgico apropriado pode ser possível (ver radiologia intervencionista).


Venografia (Flebografia)

As veias levam sangue ao coração, portanto, pela injeção de um meio de contraste em uma veia periférica, um mapa preciso do fluxo sangüíneo em um membro pode ser obtido. O maior tamanho e maior número de veias periféricas, e o fato de o fluxo de sangue ser mais lento nas veias que nas artérias significa que é comum para o radiologista obter várias radiografias de cada área do membro em diferentes posições. O objetivo mais comum da venografia é confirmar a suspeita diagnóstica de trombose profunda da perna.


ADS (Angiografia Digital por Subtração)

Na Angiografia Digital por Subtração (ADS), a imagem é produzida por meio da subtração de radiografias sem meios de contraste de radiografias obtidas após o meio de contraste ser administrado. O resultado deste processo de subtração é a visualização de vasos preenchidos por meios de contraste livres de estruturas sobrejacentes. Esses procedimentos envolvem o uso de equipamento eletrônico específico, incluindo "hardware" de computação e radiográfico, para produzir rápidas imagens seqüenciais.


Urografia Intravenosa (pielografia intravenosa, UIV, PIV)

A urografia intravenosa é o exame radiológico básico do trato urinário e seu propósito principal é avaliar a forma, estrutura e função dos rins. Quando injetados de modo intravenoso, muitos meios de contraste são rapidamente excretados pelo rim, portanto uma série de radiografias obtidas após a injeção irão destacar o trato urinário. Em comparação com a arteriografia e venografia, a urografia intravenosa requer pouco tempo do radiologista e é comum vários desses exames serem realizados em uma única sessão. As crianças podem ser investigadas para anormalidades congênitas do trato urinário utilizando-se a urografia intravenosa.


Tomografia Computadorizada (TC)

Concebida em 1973, a Tomografia Computadorizada (TC) tornou-se um dos mais importantes exames radiológicos. A TC delineia órgãos de uma nova maneira por meio da produção de imagens de cortes transversais do paciente digitalizadas eletronicamente. Dessa forma, alcança sensibilidade maior que a normal para melhorar os contrastes radiológicos naturais entre os órgãos. A TC não pode criar contraste onde não existe. No entanto, é excepcionalmente sensível aos meios de contraste e pode detectar anormalidades relacionadas à doença pela distribuição de uma dose intravenosa de meio de contraste. De 60% a 80% de todas as TC envolvem a utilização de um meio de contraste.

A TC é especialmente utilizada para investigações do cérebro e coluna, bem como para a produção de estudos abdominais e urológicos. Cerca de 20% de todos os procedimentos de TC investigam o fígado.

Recentemente, uma técnica avançada de TC chamada TC espiral ou helicoidal está se tornando cada vez mais importante. A TC espiral alcança a mesma resolução da TC normal, mas com tempo de exame menor e menor dose de raios-x. Além disso, a TC espiral fornece novo instrumento diagnóstico poderoso por tornar possível resoluções em 3D e reconstruções opcionais da imagem em 3D da anatomia investigada.


Mielografia

Outra estrutura que não pode ser visualizada sem o uso de meios de contraste é a medula espinhal e as raízes nervosas que irradiam dela. Como resultado, um meio de contraste deve ser injetado no fluido cerebrospinal que envolve a medula e as raízes nervosas. Este fluido torna-se opaco de forma que a medula espinhal aparece como estrutura transparente dentro do canal espinal. Meios de contraste altamente especializados são utilizados para esses exames.

A maioria dos mielogramas são realizados para examinar somente a região lombar. A razão mais comum para tal exame é confirmar a suspeita de prolapso de disco intervertebral. Porém, alguns mielogramas são realizados para estudar lesões degenerativas em tumores altos da medula espinhal. Algumas vezes a região cervical também é examinada. Desde a introdução da TC e RM (ressonância magnética), a importância dos procedimentos mielográficos tem diminuído constantemente.


Técnicas intervencionistas

Uma parte dos radiologistas estão se especializando em procedimentos terapêuticos que foram desenvolvidos a partir de técnicas radiológicas. Esses procedimentos incluem a dilatação de artérias estreitas (angioplastia, angioplastia transluminal percutânea, ATP), assim como o fechamento proposital de artérias que suprem áreas anormais como tumores, aneurismas e malformações vasculares. Este procedimento, denominado embolização terapêutica, retira o suprimento sangüíneo das áreas anormais. Pode freqüentemente necessitar do uso de altas doses do meio de contraste porque vários exames dos mesmos vasos podem ser necessários para controlar o progresso terapêutico.


Outros exames

Os meios de contraste são também utilizados para grande variedade de outros exames. Por exemplo, podem ser utilizados para estudar a anatomia das articulações (artrografia) ou dentro do sistema de ductos de várias glândulas, como glândula salivar (sialografia). Em outros casos, o meio de contraste pode ser utilizado para examinar o sistema ductal pancreático/biliar (coledocopancreatografia retrógrada) para entender-se a causa de uma obstrução dos ductos. Pode ser introduzido diretamente na bexiga para determinar se há refluxo para o ureter (cistografia miccional).

Além disso, meios de contraste diluídos podem ser utilizados para identificar órgãos como o intestino delgado ou reto.


Segurança dos meios de contraste

Reações adversas aos meios de contraste modernos para raios-x são muito raras. Porém, como com qualquer produto farmacêutico, elas podem ocorrer. No entanto, quaisquer reações adversas são geralmente leves a moderadas e de curta duração, e se resolvem espontaneamente sem tratamento médico. Entre as reações aos meios de contraste mais freqüentemente observadas estão: náuseas, vômitos e sintomas alérgicos. Reações adversas sérias têm sido observadas e, nesses casos, é necessária a hospitalização do paciente. Para diminuir o risco de reações adversas, os profissionais de saúde questionam sobre a história médica do paciente. São perguntas como:

· Está tomando alguma medicação (prescrita ou sem receita médica)?
· Já teve alguma reação aos meios de contraste para raios-x ou qualquer outra substância contendo iodo?
· Tem qualquer outra alergia como febre do feno, medicações, etc.?
· Tem qualquer condição preexistente como diabetes, doença renal ou hepática, etc.?
· Está grávida?
· Está amamentando?

Preparação para o exame
Antes do exame, é necessário remover:
· Dentaduras
· Jóias
· Qualquer material que possa interferir nos raios-x


  • Ressonância Magnética

A visão magnética do corpo

O que significa "Ressonância Magnética"?

Ressonância Magnética (RM) é uma ferramenta médica moderna e precisa disponível aos médicos para a imagem seccional do interior do corpo. Esta "visão magnética" fornece aos médicos uma quantidade de informações detalhadas sobre a localização, tamanho e composição do tecido corporal a ser examinado. Este conhecimento pode ser decisivo no estabelecimento de um diagnóstico rápido e preciso.

A RM é um método de investigar o corpo tão complicado quanto parece. A RM não usa raios-x. De fato, como o nome indica, o procedimento é baseado nas propriedades magnéticas dos átomos que constituem todas as substâncias - incluindo o corpo humano. Em um campo magnético forte, como o produzido pelo scanner da RM, sinais elétricos são emitidos pelo núcleo atômico do tecido corporal. Esses sinais são interceptados por uma antena circular ao redor do paciente. A intensidade do sinal varia de acordo com o tipo de tecido. Um computador designa os sinais aos pontos correspondentes das áreas corporais em exame e transforma-as em imagem na tela.


Preparação para o exame

Não é necessário remover as roupas, como é o caso em muitos exames de raios-x, porém, os pacientes são solicitados a retirar todos os objetos que possam interferir no processo de imagem, principalmente aqueles contendo metal. Isto inclui não somente brincos, broches, colares, relógios de pulso, mas também canetas esferográficas e chaves. Os pacientes devem também retirar placas dentárias removíveis e informar o médico se houver qualquer implante metálico ou objeto estranho, incluindo:

· Marca-passo
· Válvula cardíaca artificial
· Prótese vascular ("Stent")
· Membro artificial
· Unha ou placa metálica
· Estilhaço ou tala de metal
· Dispositivo intra-uterino (para contracepção)


O médico deve ser informado se você está grávida.

Para o exame, os pacientes são conduzidos a um recosto almofadado no centro do scanner da RM. É importante que o paciente sinta-se confortável para o início e permaneça calmo e quieto o quanto possível durante o exame, já que qualquer movimento físico pode interferir com a precisão das medidas ou alterar os resultados dos testes.


Os pacientes podem ajudar:

· Não beber café ou chá no dia do exame.
· Não utilizar maquiagem ou spray de cabelo, já que podem interferir na imagem.
· Vestir roupas frouxas e adequadas sem zíper ou fechos de metal.


Uma palavra sobre segurança

Uma vez que a ressonância magnética não envolve o uso de raios-x, não é necessário tomar as mesmas medidas de precaução para exames de raios-x. Pelo conhecimento científico atual, a força do campo magnético necessária para obter resultados precisos (até 2 Tesla = 20.000 vezes o campo magnético da Terra), não possui efeito prejudicial. Nos últimos anos, milhões de exames foram realizados sem quaisquer efeitos colaterais conhecidos - durante ou após o exame. Os exames de RM geralmente não podem ser realizados em pacientes com marca-passo cardíaco.


O que acontece durante o exame?

Durante o exame o paciente deita-se no centro de uma abertura tipo túnel do scanner da RM, o que não é perigoso nem doloroso. Porém, se o paciente não gosta da sensação de se sentir preso ou sofrem de claustrofobia, tomar um sedativo leve, com consulta do médico, pode ajudar.

Cada imagem da RM leva de 5 a 15 minutos para ser obtida. Durante o exame, o paciente ouvirá um som de batida leve. Não há com que se preocupar. Esse é o funcionamento normal do scanner da RM.

Quando é necessário obter várias imagens, o recosto irá mover-se automaticamente à posição apropriada. O paciente deve continuar o mais tranqüilo possível. Dependendo do tipo do exame, o tempo total do procedimento pode ser de até 60 minutos.


Utilizando um meio de contraste

Em alguns casos um meio de contraste específico para RM é injetado para melhorar a qualidade da imagem e melhorar a segurança do diagnóstico. Esses agentes de contraste são extremamente bem tolerados pelos pacientes. Eles são diferentes dos agentes de contraste à base de iodo utilizados nos exames de raios-x e são, freqüentemente, seguros o suficiente para serem administrados aos pacientes alérgicos ao meio de contraste dos raios-X.

  • Ultra-sonografia

O que é ultra-sonografia?

A ultra-sonografia é um método diagnóstico amplamente utilizado e financeiramente viável usado para avaliar órgãos, tecidos moles e fluxo sangüíneo. Trabalha por ondas sonoras de alta freqüência enviadas ao corpo por um transdutor pressionado contra a pele do paciente. Este transdutor também recebe as ondas sonoras refletidas do tecido e sangue como um eco. Estes ecos são convertidos pelo ultra-som em imagens de tempo real que podem ser vistas no monitor ao lado do paciente.


Sonografia com Doppler

Um segundo método de ultra-sonografia, chamado sonografia com Doppler, é utilizado para detectar e visualizar o fluxo sangüíneo enquanto a estrutura corporal interna é observada. A sonografia com Doppler é usada principalmente para examinar anormalidades de fluxo sangüíneo em qualquer lugar do corpo e também para o exame da função cardíaca.


O que acontece durante o exame de ultra-sonografia?

Para melhorar a qualidade da imagem, um gel inócuo, inodoro e hidrossolúvel é aplicado sobre a pele onde o transdutor é colocado. O paciente pode sentir uma sensação de frio e umidade no momento do exame, mas o gel é completamente removido no final.

Os pacientes geralmente deitam-se em uma cama hospitalar ou mesa de exame para o exame de ultra-sonografia. Durante o procedimento, é normal sentir uma leve pressão ou vibração do transdutor, o que não é doloroso. As luzes do ambiente são algumas vezes apagadas para reduzir o brilho e melhorar a visualização das imagens na tela. Mudanças na posição do corpo algumas vezes são necessárias a fim de obter imagens melhores.

A ultra-sonografia diagnóstica tem se mostrado muito segura nos últimos anos de uso clínico e não há efeitos prejudiciais associados a ela.


O paciente precisa preparar-se para o exame de ultra-sonografia?

O exame de ultra-sonografia normalmente não necessita de qualquer preparação especial. Os pacientes podem comer e realizar suas atividades normais, a menos que outra recomendação seja feita pelo seu médico. Se o exame envolver o abdome superior, os pacientes não devem comer pela manhã.


Quanto tempo demora um exame?

Os exames de ultra-sonografia são realizados por especialistas treinados. O tempo de exame varia de poucos minutos a uma hora dependendo da informação diagnóstica necessária.


Em quanto tempo os resultados do exame estão disponíveis?

O ultra-sonografista irá ver os resultados do exame na tela do monitor durante a realização do mesmo. Porém, em muitos casos, é necessário obter medidas mais precisas das gravações de videoteipe antes dos pacientes obterem o diagnóstico final. Se o paciente tiver exames anteriores, os resultados podem ser comparados com esses e os médicos irão analisar as diferenças.


Por que o meio de contraste é utilizado na ultra-sonografia?

Algumas vezes um exame de ultra-sonografia não fornece informação suficiente para um diagnóstico conclusivo. Nesses casos, o médico pode usar um meio de contraste para melhorar as imagens da ultra-sonografia e obter um diagnóstico mais preciso. Isto pode evitar a realização de exame adicional utilizando-se técnicas de imagem diferentes.


Os meios de contraste de ultra-sonografia possuem efeitos colaterais?

Muitos pacientes não apresentam efeitos colaterais, embora ocasionalmente haja uma leve sensação de calor ou frio quando o meio de contraste é injetado. Outros sintomas, como sensação de gosto, falta de ar, alterações no pulso ou pressão arterial são extremamente raros.

Em qualquer caso, é importante que o paciente informe o médico sobre qualquer desconforto ou alterações no seu bem-estar como resultado da administração do meio de contraste.


Quando o meio de contraste não deve ser utilizado?

O ultra-sonografista deve ser informado sobre as seguintes condições:
· Gravidez
· Amamentação
· Alteração cardíaca
· Níveis elevados de galactose (galactosemia)

  • Medicina nuclear

1. O que é medicina nuclear?

A medicina nuclear é uma especialidade médica que usa radiofármacos para diagnosticar ou tratar doenças.


2. O que são radiofármacos?

Pela definição, radiofármacos são compostos radioativos para o uso in vivo no diagnóstico e terapia de desordens humanas.

Esta definição inclui "kits frios", os quais são compostos não-radioativos que são radioativamente marcados imediatamente antes da aplicação. Esta abordagem é freqüentemente usada com isótopos que possuem uma meia-vida relativamente curta, como o tecnécio-99m.

Na medicina nuclear diagnóstica raios gama (tecnécio-99m, índio-111, tálio-201, iodo-123 e gálio-67) ou radioisótopos emissores de pósitrons (flúor-18, carbono-11, nitrogênio-13 e oxigênio-15) são utilizados.

Na terapia, principalmente raios beta emissores de radioisótopos (iodo-131, rênio-186/188, ítrio-90, estrôncio-89 e samário-153) são utilizados.


3. Como são administrados os radiofármacos?

Os radiofármacos são administrados por via intravenosa, oral, dentro de cavidades corporais ou são inalados pelo paciente.


4. Como os radiofármacos agem?

Há dois fatores que determinam o modo de ação dos radiofármacos: a natureza do isótopo radioativo e a estrutura química da molécula ligada ao isótopo.

Na imagem diagnóstica o isótopo radioativo emite raios gama que podem ser detectados por um dispositivo de imagem denominado câmara gama. O procedimento é chamado cintilografia.

Na terapia, isótopos diferentes que emitem partículas beta (ou alfa) são utilizados (ver questão 2). Essas partículas podem liberar sua energia altamente seletiva para atingir tecidos/células e causar morte celular dose-dependente ou inibir as funções teciduais ou celulares, como proliferação e inflamação.

A natureza química do radioisótopo ou da molécula ligada ao isótopo afeta a distribuição do agente no corpo e, assim, determina acúmulo no órgão-alvo que é controlado por condições fisiológicas ou patológicas (como perfusão, metabolismo, hipóxia, expressão do antígeno).


5. Qual é a exposição à radiação dos pacientes devido aos radiofármacos?

A maioria dos procedimentos diagnósticos nucleares (por ex. radiofármacos marcados com tecnécio) expõe o paciente à metade (ou menos) da dose radioativa geralmente usada na TC. A dose de radiação é equivalente à exposição anual à radiação por raios-x natural.


6. Quais os tipos de scanners são utilizados para a medicina nuclear diagnóstica?

Câmara gama (ou câmara de Anger): câmara gama convencional mede raios gama emitidos de rastreadores radioativos e fornece imagens planas de todo o corpo ou áreas corporais selecionadas. Câmaras gama modernas não são limitadas à imagem plana. Nos sistemas SPECT (SPECT: TC com emissão de fóton único), dois ou mais detectores giram em torno do volume corporal selecionado criando dados 3-D que permitem reconstrução tomográfica da distribuição radioativa dentro do corpo. As imagens seccionais obtidas podem ser mostradas, semelhante ao TC com raios-x.

PET (tomografia por emissão de pósitron): A PET usa isótopos emissores de pósitrons para a obtenção da imagem. Os pósitrons emitidos reagem imediatamente com elétrons pela conversão de sua energia em dois fótons de alta energia gama. Esses fótons podem ser detectados com câmaras gama desenhadas especialmente, também chamadas "PET-scanners". As imagens possuem resolução espacial melhor que as cintilografias convencionais e permitem quantificação precisa das concentrações radioativas locais. Imagens com PET podem ser usadas para avaliação quantitativa de condições patológicas (como hipermetabolismo, anticorpo ou ligação de peptídeos às células tumorais).


7. Quais as principais indicações para medicina nuclear?

As principais indicações para a medicina nuclear diagnóstica variam dentro de diferentes regiões. Imagem cardíaca e estudos de ossos/articulações têm o principal papel nos EUA, Japão e Europa, enquanto o diagnóstico da tireóide é mais freqüente na Europa.

Na terapia, atualmente, as indicações mais comuns são doenças da tireóide, metástases ósseas dolorosas e doenças articulares inflamatórias. As aplicações terapêuticas são responsáveis atualmente por somente 1% (EUA), 2% (Europa) e 0,2% (Japão) de todos os procedimentos de medicina nuclear.


8. Quais são os benefícios do radiodiagnóstico?

· Fornece informação sobre a função do órgão, não morfologia
· Permite imagem (não invasiva) de todo o corpo
· Em alguns casos, detecção mais precoce da doença do que com outras modalidades de obtenção da imagem devido à capacidade de visualização de alterações funcionais / metabólicas.
· Pequenas quantidades de substâncias são utilizadas.
· Índice muito baixo de reações adversas à droga (quase irrelevantes na prática clínica).


9. O que diferencia a medicina nuclear das outras técnicas de imagem?

Alterações morfológicas incluindo fluxo, permeabilidade e distribuição de fluidos de órgãos ou tecidos (por ex. tamanho, contorno) podem ser demonstradas com excelentes resoluções espaciais pela TC, RM ou ultra-sonografia. Em contraste, a medicina nuclear permite diagnosticar doença com base nos distúrbios funcionais ou metabólicos que geralmente ocorrem antes das alterações morfológicas no curso da doença.

Isto deve-se aos radiofármacos altamente específicos que permitem detectar anormalidades funcionais bem definidas em vez de fenômenos morfológicos realçados por contrastes menos específicos utilizados na TC ou RM. Assim, a medicina nuclear tem potencial para diagnóstico precoce, o qual pode ser especialmente útil no caso de doença maligna. Além disso, pesquisas rápidas de todo o corpo podem ser realizadas.


10. Quais as principais questões diagnósticas que podem ser mais bem respondidas pela medicina nuclear do que pelas modalidades competitivas?

· Caracterização do tecido em oncologia: recorrência tumoral vs. cicatriz vs. inflamação
· Possibilidade de imagem funcional (por ex. angiogênese, estado da expressão do receptor, monitorização de rádio/quimioterapia)
· Diferenciação de tecido viável vs. necrótico em cardiologia
· Quantificação da função orgânica (por ex. função renal)


11. Quais as típicas classes de produtos radiofármacos podem ser definidas?

Gerador de tecnécio
Embora o Tc-99m possua meia-vida física curta de 6 horas e, portanto, não seja adequado seu transporte, ele é utilizado para a maioria de todas as aplicações em medicina nuclear. É obtido por um sistema de gerador (geralmente disponível no departamento de medicina nuclear ou em uma radiofarmácia) contendo Molibdênio (Mo-99) que deteriora a Tc-99m. Assim, o Tc-99m está constantemente disponível para kits frios marcados ou uso para mapeamento da tireóide.

"Kits frios"
Kits frios são não-radioativos e podem ser armazenados em depósito. Após marcados com, por ex., tecnécio radioativo, são utilizados para várias indicações de cintilografia (como cintilografia óssea para detectar metástases ósseas).

Radiofármacos "quentes"
Radiofármacos quentes são radioativos e transportados pelos fornecedores de radiofármacos ao departamento de medicina nuclear. São utilizados para aplicações diagnósticas ou terapêuticas.

Radiofármacos alvo-específicos "modernos" baseados em anticorpos monoclonais e peptídeos.
Esses produtos (fornecidos como kits frios ou quentes) estão disponíveis no mercado desde o final da década de 80. Eles se ligam às moléculas como os receptores celulares e permitem imagem específica assim como tratamento.


12. Que tipo de radiação é utilizada na medicina nuclear?

Radiação alfa:
Fluxo de partículas alfa (núcleos do átomo hélio) com elevada energia cinética. Raios alfa podem facilmente ser bloqueados, por ex., por um pedaço de papel mostrando baixa penetração de tecido / alta absorção tecidual.

Radiação beta:
Fluxo de partículas beta (elétrons). Sua habilidade em penetrar tecido dependende de sua energia cinética. Raios beta "fortes" e "fracos" possuem cerca de 500 vezes mais penetração tecidual que a radiação alfa.

Radiação gama:
Radiação eletromagnética com comprimento de onda muito curto e característico (fisicamente idêntico aos raios-X) mostrando penetração tecidual quase completa (medida em MeV; absorção somente pelo osso, etc.).


13. O que são radioimunoensaios (RIE)?

Radioimunoensaios são testes diagnósticos in vitro que utilizam isótopos radioativos. Porém, eles não entram na definição de radiofármacos.

Radioimunoensaios podem ser usados para determinar substâncias biológicas, como sangue. Exemplos típicos são kits para medir os hormônios tireoideanos ou sexuais.